domingo, 31 de janeiro de 2010

Desafio 12 horas de ciclismo no rodoanel

Vou escrever sobre a nossa rave de atletas hoje enquanto estou com os fatos na memória. Passamos a noite no meio do nada, o suficiente para o celular pegar quando estava com vontade, tinha música e gente eufórica, substituímos o ecstasy por endorfina e alguns tomaram quantidades razoáveis de red bull, algo que não me passa na cabeça.

Nossa equipe foi uma agradável surpresa. Tive como parceiros o Roger, a quem já conhecia, Guto e Carlos, companheiros de treino da MPR que não conhecia ainda pessoalmente.

Estratégia simples, uma volta de aproximadamente 26km para cada até terminar. Como nenhum de nós fazia questão de ser o primeiro a pedalar, o Carlos assumiu esse encargo. Pra mim sobrou, por pura sorte, a última volta. Foi a melhor de todas. Consegui ver finalmente onde estávamos e era muito bonito, sem contar no ar frio da manhã que me refrescava nas descidas. Em um dado momento olhei para a esquerda e vi um papagaio voando por cima da represa, que estava um espelho. Parei de pedalar naquela descida e fui só no embalo para curtir aquele momento.

Tínhamos alguns amigos próximos a nossa barraca, especialmente as meninas da equipe feminina da MPR, Cláudia , Cris, Dani e Gra. O Gerna na nossa frente com o ônibus de ciclistas, e o pessoal da ciclovece um pouco mais a frente.

As primeiras voltas foram tensas. Após a largada, muitos pelotões foram formados e aí começaram os acidentes. Eu era o segundo a entrar, e enquanto esperava a minha vez duas ambulâncias passaram com acidentados. O problema é que estava muito escuro e os faróis das bicicletas não são suficientes para iluminar o percurso e em alguns trechos havia estreitamentos bruscos, causando choques com cones e outros equipamentos. Estávamos pedalando em um canteiro de obras, não havia dúvida sobre isso e considerando isso decidi pedalar sozinho na primeira volta para fazer um levantamento do percurso. Nada de pelotão naquela hora.

Na linha de chegada: Roger, Carlos, eu e Guto

No fim, nossa equipe passou ilesa sem sustos ou arranhões, sem problemas mecânicos ou pneus furados. Foi uma noite longa e a falta de sono pegou. Voltei pra casa segurando meus olhos abertos na estrada. Se você me perguntar se faço de novo essa prova a resposta vai ser um não gigantesco. Foi ótimo, divertido, diferente e a última volta com luz foi maravilhosa. Mas sinceramente não. Não preciso correr este tipo de risco. A chance de um acidente era muito grande. Em determinados momentos cheguei a descer alguns trechos a mais de 50km/h na escuridão.

Quando tiver fotos do nosso acampamento coloco no blog, fui... o Guto foi rápido, aí estão as fotos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Manias, superstições e outras coisas que ajudam os atletas!


A piada diz que se macumba ganhasse campeonato, o baiano acabaria empatado.

Pois é, você acha que é só no futebol? Vou contar as minhas, mas antes um pouco de blablabla.

Alguns esportes precisam de um nível de concentração alto por um período de tempo curto. Depois você relaxa e volta a se concentrar. O golf é assim. Uma partida dura quatro horas, você joga por talvez uma hora, o resto é passeio de luxo e as vezes em boa companhia. Esporte muito interessante.

O importante é que para você "disparar" essa concentração existem alguns truques. Alguns golfistas batem com o taco no chão, respiram fundo, giram o taco. E no tênis? A Sharapova respirando fundo depois de bater a bolinha quinze vezes no chão, e depois arruma o cabelo atrás da orelha. O pior é o Nadal. Pra quem não sabe, ele fica arrumando a cueca antes de sacar, péssimo.

Eu tenho rituais em todos os esportes. No golf paro atrás da bola, levanto o taco e faço a mira. Em seguida vou caminhando em direção a bola fazendo um arco pelo lado esquerdo, sempre olhando pra onde a tacada vai, encosto o taco no chão, verifico o alinhamento e faço o swing. Funciona. Meu irmão faz tudo isso mas dorme em cima da bola, o que gerou o apelido de Greg Dormem (Greg Norman é um golfista Australiano).

Pra que serve isso? Para disparar uma série de movimentos sincronizados e que são treinados a exaustão. Serve para avisar o corpo e a mente que está na hora de focar e fazer aquilo que você ensaiou tantas vezes. No triathlon preciso fazer meu último treino de natação com palmar e bóia. Suprestição? Não. Um aviso pro meu corpo que tá na hora. Que a partir daquele momento é concentração até o dia da prova.

Antes da largada visualizo a minha natação, vejo as ondas e imagino as transições. Repasso o objetivo do dia, os parciais de referência e quem são meus principais concorrentes. É nesse momento que dá aquele friozinho na barriga que todos nós gostamos.

Você já viu as transmissões do Tour de France? Lance Armstrong sempre arruma a bermuda no time trial individual. Ele larga, entra na posição aerodinâmica e aí dá uma puxada na bermuda com a mão esquerda. Superstição? Mania? Insegurança? Bermuda apertando? Não sei, mas ele já ganhou sete vezes o tour.

Já vi atletas com fotos dos filhos na bicicleta. Usar sempre a mesma roupa em provas (argh), fitas vermelhas no banco, capacete, orelha, sei lá. Quem lembrar de alguma me avisa. Aliás vamos fazer o seguinte, Mande seu comentário com algo curioso que já viu um atleta fazer, pode ser engraçado.

Fui.... pulando numa perna só e de costas

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dia a dia de triatleta amador


O triathlon é muito mais que o dia da prova. É o treinamento que nos faz chegar lá. E treinar é duro. Não somente o momento dos treinos, mas a logística envolvida nisso tudo.

Independentemente do seu nível nesse esporte, uma coisa eu garanto, todo triatleta treina o máximo que consegue e menos do que gostaria, e esse máximo é limitado por: trabalho, família, vida social, tempo de descanso e outras atividades cotidianas. Há também o problema das lesões e recuperações, e também a logística de alimentação e administração de materiais esportivos.

Materiais esportivos: para nós esse ítem é três vezes pior que para qualquer atleta amador. Por quê? É simples, são três esportes. Então, além de tentar encaixar treinos, alimentação, descanso, recuperação, fisioterapia, idas e vindas em médicos e exames; ainda temos que administrar os equipamentos. E trabalhar para pagar tudo isso.

Tênis de treino, de prova, para tiro, para treino longo. Bermudas, camisetas, meias de corrida (sim, existem meias específicas para corrida, e funcionam) óculos de natação, sungas, toucas e o pior, os materiais do ciclismo. Pneus, câmeras, rodas, caramanhola, co2, espátulas, bermudas, breteles, camisetas, manguitos e a tentação de comprar tudo novo quando tem os novos lançamentos.

Posso falar a verdade? Adoro isso. As vezes vou nas lojas de ciclismo só pra ficar namorando os equipamentos. Me arraste para um shopping center num dia qualquer e vou ficar irritado em 15min. Me largue numa loja de materiais esportivos e prepare-se, só saio de lá arrastado ou quando comprar alguma coisa que não preciso e que tenho mais duas em casa iguais esperando para serem usadas.

O problema todo é a velocidade com que os materiais vão se acabando. E o pouco tempo que sobra para organizar isso tudo. Tenho problema em jogar as coisas fora, portanto minha casa deve ter um estoque de pneus usados que daria para abrir uma pequena loja. Todos eles com algum problema - acho que a loja não iria longe. Furos, rasgos ou simplesmente gastos pelo uso. Todos eles carregam uma história, uma prova, um momento de treino. São testemunhas do esforço e deram sua existência pelo bem de um atleta amador. Exagero? Talvez. Mas não estou fazendo drama não. Nossos equipamentos são testemunhas dos melhores momentos de nossa vida, devem ser tratados com respeito. Com isso, ficam se acumulando no meu quarto de jogos (aquele em que jogo tudo dentro).

Alimentação: esse ponto é complicado. Todos sabemos que devemos fazer pelo menos cinco refeições ao dia, não ficar sem comer por mais de três horas e assim vai. Para mim isso é um tabu. No próximo post escreverei sobre meu relacionamento com a balança, mas por enquanto só posso dizer uma coisa. Um dos meus objetivos deste ano é passar por cima deste trauma, ir na nutricionista e começar a fazer as coisas certas. Mas esse assunto deve ser rabalhado com cuidado.

Tudo tem seu tempo.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Teste de esforço cardiopulmunar

Dia 5 de dezembro realizei um teste de esforço cardiopulmonar. Conforme prometido em outro post vou contar como foi esse negócio.


Vc já se sentiu um rato de laboratório? Ou o Darth Vader do esporte? E que tal os dois juntos?

O teste é assim mesmo. Fizemos o teste na clínica do Dr. Marcelo Leitão. Esportista, cardiologista e grande conhecedor de medicina esportiva. Junto comigo estava meu irmão, Dr. Alcy Vilas Bôas Jr, Médico, ortopedista, especializado em cirurgia de joelho e reconstrução biológica articular. Nunca fiquei tão tranquilo para fazer força, qualquer coisa tava bem acompanhado.

Tudo começa com um exame clínico. Fizemos tudo junto. Como era um sábado pela manhã, tínhamos a clínica praticamente para nós. Como bom irmão mais novo deixei o Alcy fazer a corrida dele antes.

Após o exame clínico vem a depilação do peito, argh, pra colocar zilhões de eletrodos. Dá pra ver tudo na foto. Depois vem a máscara, aparelho no dedo, 50 fios pendurados, coisas super naturais. Quando você já tá pensando como que vai correr com aquilo tudo pendurado vem a melhor frase do dia, "respira normalmente e fica tranquilo" Como é que é? Tenho que fazer cara de paisagem parecendo um soldado da primeira guerra com aquelas máscaras contra gás.

Mas tudo bem. Da última vez que fiz um teste desses, a máscara não era tão boa e era necessário o uso de um clip no nariz. Essa é bem melhor. Você respira normalmente e ela quase não incomoda. Fica muito firme e não balança.


O objetivo deste teste, pelo lado do atleta é de direcionar os treinamentos. Para o médico, também é de verificar qualquer tipo de anomalia que indique uma limitação para exercício físico. Dá um certo temor. E se durante o teste eu tiver alguma arritimia ou coisa parecida e o médico virar pra mim e disser que tenho que parar de treinar? Como vou reagir? Existem casos deste tipo e é exatamente por isso que a MPR - assessoria esportiva que treino - pede que todo ano eu faça o teste de esforço, envie um atestado médico sobre isso e faça um exame de sangue completo. No meu caso o Dr. Leitão fez um exame mais completo ainda, que inclui os seguintes: colesterol, HDL, Triglicerídios, Ácido Úrico, Creatinina, Hemograma, Glicemia e Ferritina,  é mole? Eles estão certos e pra gente é uma segurança grande.

Depois de correr como doido por 12 minutos - usamos um protocolo com velocidade e nao inclinação da esteira - atingi os seguintes números: VO2 máx 63,35; FC máx 181; VO2/FC máx 20,9 VE máximo (BTPS) 115,5 LI a 14,2km/h com FC 163(90,1%) e LII a 15,6km/h com FC 171(94,5%)

Nada mal para 40 anos de idade. O mais engraçado é correr a 18,3km/h, que foi minha velocidade máxima e ficar imaginando um tombo. Se eu caísse naquela esteira, na velocidade que estava ia ser um estrago enorme. No mínimo eu ia sair voando pra trás e quebrar a parede que estava a uns dois metros da esteira. Mas era uma esteira muito larga e comprida, dava bastante segurança.

No fim foi divertido. Não foi a melhor maneira de me preparar para a última etapa do Troféu Brasil que foi em Santos no dia seguinte, ver post de 8 de dezembro sobre a prova.

Pra quem ainda não fez um teste desses, vale a pena. É sempre bom conhecer melhor a máquina que nos leva a linha de chegada das provas.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010